Cú ò Léu
Binóculus na mom,
bigode óclus ReiBan,
de bermudas i curdom.
Pai izêmpelar,
maridu dastracan.
Hora du xixi du com.
Cú ó léu, cú ó léu,
pra tustaru bom que deus lhe deu.
cú ó léu, cú ó léu.
Pró mirone... A cair du céu.
Pur entre us ruchedus,
u ôlhu bem atêntu
a currer pur êntre us dêdus.
Homem às direitas,
pênsamêntus lêntus.
É um amante dus segrêdus.
Cú ò Léu (ó bibo na Praça do Comércio, Lx 2008)
Neste tema tocam
Orlando ‘King Fisher’ Mesquita - Lide bucale, banju i bozes;
Sérgio Castro - Lide bucale, biolom i bozes;
Álvaro Azevedo - Bataria, bozes;
Miguel Cerqueira - Baixu, bozes; João L. Médicis – Bozes;
Jorge F. Santos - Sólu de boz alucinada, bozes;
Pancho Alvarez – Rabeca ó istilu irlandês;
Nuno Meireles – Boz cua curneta de feira;
Sobre este tema
Todos temos consciencia que o 'country' é provavelmente a expressão máxima da
'parolice' yankee, uma especie de profecia do pimba, tão em voga em terras lusas e, tal como o primeiro,
tão rentável para uma indústria que se nutre e prolifera à custa de ambos fenómenos. Quem passa por
Nashville fica com uma noção muito aproximada desta realidade e entenderá que o 'pimba' está ainda a
dar os primeiros passos – esperem até ver canecas, travessas e pratos decorativos, chapéus, instrumentos
musicais e outros 'souvenires' com as caras e os logos de algumas das eminências nacionais. Quem sabe se
até papel higiénico?!¿...
Pois por tudo o acima descrito, para a fotografia que me propunha “tirar” o 'country' era o estilo
adequado. Ainda para mais resultando divertido de interpretar e dando-nos oportunidade de convidar o
Pancho para voltar a colaborar connosco e dar, com o violino, o toque definitivo ao ambiente da obra.
A foto ia ser sépia pois, pensava eu, era uma imagem do século passado. Mas qual não foi o meu espanto
a coisa 'revelou-se' um autêntico Kodak Colour Gold ASA400, com todos os detalhes e truques de iluminação.
Reparem só: quando já pensava que isto dos mirones na praia eram coisa da geração do meu pai, dei comigo
num restaurante Matosinhense a ouvir o relato de um sujeito de uns 30 e muitos a outros 'jovens'
quarentões, que se deu ao trabalho de ir a Vigo, deixar a mulher no El Corte Ingles (como se já não
houvesse um aqui ao lado) e, subrepticiamente, deslizar pelas águas da ria até às ilhas Cies (num barco,
claro), para poder apreciar, com os seus próprios olhos, os cus de quem, que com o direito que lhe
assite, frequenta a praia nudista da ilha grande. “E a tua mulher foi contigo?” – perguntava um.
“É maluco”, respodia, “a mulher nem sonha que eu lá fui”.
Não preciso de vos contar mais. O resto já podeis imaginar e, como banda sonora, deixo-vos o “Cú ó léu”.
Cuidado com os resfriados... (S.C.)

